
Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,E aquilo que eu presumir também presumirás. Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.
Casas e cômodos cheios de perfumes, prateleiras apinhadas de perfumes. Eu mesmo respiro a fragrância, a reconheço e com ela me deleito . A essência bem poderia inebriar-me, mas não permitirei.
A fumaça da minha própria respiração.
Minha expiração e inspiração, a batida do meu coração, a passagem de sangue e de ar através de meus pulmões. O odor das folhas verdes e de folhas ressecadas, da praia e das pedras escuras do mar, e de palha no celeiro. O som das palavras expelidas de minha voz aos remoinhos do vento,
Fica esta noite e este dia comigo e será tua a origem de todos os poemas
Do mesmo modo não verás mais através de meus olhos, nem tampouco receberás coisa alguma de mim. Ouvirás o que vem de todos os lados e saberás filtrar tudo por ti mesmo.
Na obscuridade a oposição equivale ao avanço, sempre substância e acréscimo, sempre o sexo,Sempre um nó de identidade, sempre distinção, sempre uma geração de vida.
Clara e doce é minha alma e claro e doce é tudo aquilo que não é minha alma.
Faltando um falta o outro, e o invisível é provado pelo visívelAté que este se torne invisível e receba a prova por sua vez.
Não trago zombarias ou argumentos, apenas testemunho e aguardo.

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